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  • Júlia Cecconello

Por onde recomeçar neste novo mundo?

Atualizado: Nov 10

Difícil escrever quando não se sabe nem o que pensar. São tantas mudanças neste novo mundo digital e online. Uma nova Era surge após a epidemia que isolou o mundo dos encontros, das viagens, do trabalho, da escola, do contato com o outro. Contato este que passou a ser uma ameaça. O mundo offline se isolou e entrou de cabeça no outro oposto: o mundo online. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o aumento do uso da internet no Brasil foi de 40% a 50% durante a pandemia. O exercício físico passou a ser pelo aplicativo; a terapia foi adaptada para o ambiente virtual; as compras no shopping ou no supermercado foram substituídas pelo e-commerce; as festinhas de aniversário foram pelo Zoom; as aulas da escola e da faculdade se tornaram aulas mediadas pelo computador na sala de casa; o trabalho virou home-office; até os mais resistentes aos pagamentos pelo aplicativo do banco no celular, tiveram que se adaptar. Aquela frase que traz um conforto quando não temos controle da situação se encaixa muito bem aqui: "o que não tem solução, solucionado está!". Não tínhamos outra alternativa a não ser enfrentar nossas resistências com a tecnologia. Quebramos barreiras, invadimos fronteiras e vimos que o monstro não é tão grande assim. Além de não ser tão horrível, ainda nos possibilita participar daquela data especial de alguém da família, manter o emprego fazendo reuniões à distância, continuar aprendendo com aquele professor dedicado que assim como todos nós, se reinventou. Se reinventou para não parar de viver e, sobretudo, sobreviver. O mundo online nos ensinou a parar de evitar o óbvio. Precisamos nos acostumar com a velocidade e potencialidade da tecnologia e do ambiente online.

Para a Psicologia foi quase um parto de 72 horas de duração. Difícil, demorado, travado, desacreditado, desvalorizado. Afinal de contas, como fazer um processo terapêutico sem estar cada um na sua poltrona, seja no divã ou frente a frente, em um ambiente totalmente preparado para a escuta? Como adaptar técnicas e intervenções do século passado neste novo mundo ainda mediado por uma tela de celular ou computador? Como lidar com a queda de conexão do wi-fi justamente no momento que o paciente começa a chorar? Mas assim como todos os outros profissionais, o psicólogo também teve que se reinventar, recriar, repensar, refazer, reajustar. Se disponibilizar ao outro teve que ser mais importante do que estar na mesma sala, no mesmo prédio, na mesma cidade. E esse foi um dos maiores ensinamentos do isolamento dessa pandemia: a revelação dolorosa de que precisamos nos unir, nos dar colo, nos cuidarmos, nos dar presença humana, mesmo que por meio de um computador. Quem reclama que está tendo muita Live não imagina o quanto de vidas que as Lives já salvaram. Milhares de pessoas estão aprendendo novas habilidades, vivendo novos papéis de vida, entrando em contato com conhecimento gratuito de gente dedicada e disposta a ajudar o outro. Um caso específico me chamou atenção esta semana: uma psicóloga que fala sobre empreendedorismo e Psicologia. Ela faz live todo dia. E todo dia eu entro para ver se ela tem audiência. Quando olho para o número de pessoas online só vejo o número um. Achei que ela iria se entristecer e desistir. Mas para minha surpresa ela continua ali todo santo dia, sempre simpática e dando o melhor conhecimento que ela tem. Não mudou o jeito animado de falar em nenhuma Live, mesmo não tendo audiência. Isso me inspira, me motiva e me encoraja. Quando amamos o que fazemos, não importa se temos alguém para aplaudir. Simplesmente seguimos fazendo o que nos faz bem, o que nos faz acordar de manhã e continuar acreditando que amanhã vamos conseguir ir além neste novo mundo que se apresenta para nós. Falar com uma tela é desafiador e por isso muita gente trava, tem vergonha, acha que vão rir do outro lado. Mas do outro lado da tela, tem um coração batendo igualzinho ao seu, que precisa de você. Nós precisamos uns dos outros, mesmo que com uma tela que nos separa e ao mesmo tempo nos une.

Não sabemos o que pensar do nosso próximo dia, nem do nosso próximo mês, quem dirá do próximo ano. São tantas incertezas e inseguranças. Entretanto, uma certeza existe: não iremos mais deixar de usar o mundo online. Agora que as resistências foram interrompidas, não há como voltar atrás. Essa nova realidade deve e vai ficar. Agora eu te pergunto: você é um profissional que se adaptou, que se reinventou e se transformou com tudo que está acontecendo? Quais as marcas positivas que a pandemia e a exploração digital causaram em você? Você consegue enxergar as possibilidades que a tecnologia pode trazer para a sua carreira, seja na Psicologia, na Advocacia, no seu comércio, no seu negócio, ou seja lá qual for a sua profissão?

Enxergar as possibilidades, entender de tecnologia, explorar o conhecimento, se conectar com aquele que está no mesmo prédio que você e com aquele que está do outro lado do mundo são formas de recomeçar. Aceitar isso e usar o que temos de tecnologia pode salvar e transformar vidas, tanto a minha como a sua.



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©2020 - Por Júlia Stege Cecconello Minozzo. Orgulhosamente criado com Wix.com